Apresentação
Projeto
Fotos Villa
Fotos exposição


Cenografia, artes plásticas, grafismos, cinema e concertos irão recriar, no Arquivo Nacional, de 12 de outubro a 5 de janeiro, a trajetória do maior compositor das Américas, Heitor Villa-Lobos, na exposição Viva Villa! - a maior mostra já realizada sobre a vida e obra do maestro, que nasceu em 5 de março de 1887 e morreu aos 72 anos, em 17 de novembro de 1959. Dividida em três partes, a exposição tem como objetivo aproximar o espectador da história da música no Brasil e no mundo, a partir de Villa Lobos, levando-o a refletir sobre a permeação entre fronteiras da música erudita e popular.

Idealizada e produzida pela Clan Design com Fabiano Canosa (que trabalham no projeto há três anos, e foram responsáveis pela recuperação e digitalização do acervo audiovisual do Museu Villa-Lobos, em 2007), Viva Villa! irá mostrar que o legado da rica trajetória pessoal e artística do compositor permanece vivo no repertório internacional em seus mais variados estilos. A coordenação do projeto é de Cláudio Fernandes, que assina com Cláudio Lobato e Fabiano Canosa a direção de arte. Com curadoria de Canosa. Viva Villa! conta ainda com a parceria de várias instituições nacionais e estrangeiras, entre as quais o Museu Villa-Lobos (RJ), Library of Congress (Washington), Richard Rodgers Library, Spanish Institute, New York Public Library (New York), Bibliotheque Nationale (Paris) e Accademia Nazionale di Santa Cecília e Embaixada do Brasil (Roma), Consulados do Brasil (New York, Washington, Praga) e Cinemateca de Praga (Republica Tcheca).



A exposição
Um imenso painel no portal de entrada dará o tom da mostra: um recorte do mapa do Brasil, pontilhado por diversas imagens, fotos, vídeos, reproduções da figura de Villa-Lobos, chamado carinhosamente de Tuhú pela família, formará uma alegoria multimídia sobre a vida e obra do maestro.

E começa a viagem, em três tempos. Na primeira parte, o espectador fará um passeio do século XIX até a primeira metade do Século XX, com suas revolucionárias transformações, acompanhando a trajetória de vida do maestro no Brasil, em Paris (anos 20) e nos Estados Unidos. A ambientação contará com painéis de textos e imagens ilustrativas, cartazes, pinturas, capas de discos, partituras, instrumentos musicais e objetos pessoais de Villa-Lobos. Entre os destaques, uma reprodução da sala da casa dos Villa-Lobos no centro da cidade, em escala real; o Rio boêmio, onde Villa ganhou a vida tocando choros no Cinema Odeon, Teatro Recreio e na lendária Confeitaria Colombo; as suas viagens e momentos marcantes como a Semana de Arte Moderna (onde fez duas apresentações sob uma chuva de vaias), o emblemático concerto em São Januário (que reuniu 40 mil crianças, durante o Estado Novo de Getulio Vargas) e o desfile carnavalesco do Sôdade do Cordão, bloco criado pelo maestro, que arrastou multidões pelas ruas do centro do Rio de Janeiro. Em todo o percurso, o registro musical de suas composições.

No segundo momento da exposição, a reprodução de um trem – o Trenzinho Caipira – levará os visitantes a percorrer os caminhos que a música de Heitor Villa-Lobos trilhou até ser reconhecido como o Compositor das Américas. O trem terá cinco vagões: Sertão, Paris, Anos 30/40, Amazônia e Américas. Em cada um deles, uma primorosa ambientação.

No Vagão do Sertão, imagens caleidoscópicas de cenários marcantes na juventude do maestro serão projetadas pelas janelas do mesmo.

O Vagão Paris, que terá os bancos forrados de tecidos, apresentará imagens projetadas dos locais significativos da história de Villa-Lobos na Cidade Luz, como a Place St. Michel, seu reduto, onde se reunia com os músicos e intelectuais de seu circulo, e o Hotel Bedford, na Madeleine, onde o maestro se hospedava.

No carro dos Anos 30/40 estarão imagens do Brasil e dos concertos espetaculares que o maestro fez pelo país.

No Vagão Amazônia, o ambiente será fantasioso, com pinturas indígenas, adereços de pena e palha. Nas janelas, o público verá uma selva cenográfica, e um efeito luminoso representará o lendário uirapuru! Nesse vagão, o público poderá desembarcar e passear pela “floresta”.

O Vagão das Américas terá de cinema: fotos de Villa-Lobos com celebridades junto a fotos de filmes da época. Nas janelas, imagens dos concertos internacionais, bem como imagens da Broadway em seu apogeu, onde se destaca o musical “Magdalena”, de sua autoria.



Espaço Papagaio de moleque
A terceira parte da exposição será dedicada inteiramente às crianças. Em toda a sua vida, Villa-Lobos adaptou melodias infantis, muitas das quais baseadas em cantigas de roda, que chegaram inclusive a ser interpretadas por cantoras líricas. Além disso, foi Villa-Lobos quem criou o projeto Canto Orfeônico, que implantou a educação musical em todos os colégios e resultou na formação de imensos corais de crianças que fizeram apresentações apoteóticas, como a que reuniu 40 mil crianças em São Januário. Esse mundo mágico de Villa terá figuras do folclore e reproduções ampliadas de brinquedos artesanais que remetem à obra do maestro, que também adorava fabricar pipas. O espaço, interativo, terá computadores, instrumentos musicais e material para a confecção de brinquedos artesanais. As crianças serão orientadas e motivadas por monitores para o uso do espaço.

Villa e o cinema
No Auditório do Arquivo Nacional, serão projetados filmes como "O Descobrimento do Brasil", de Humberto Mauro, para o qual Villa-Lobos compôs a trilha sonora; do Cinema Novo, "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Terra em Transe", de Glauber Rocha, "Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade, “Arraial do Cabo”, de Paulo Cesar Sarraceni e "Menino de Engenho", de Walter Lima Jr, entre outros, que utilizaram suas composições como trilha sonora em particular a cinebiografia "Villa-Lobos", de Zelito Vianna, além de documentários dedicados à vida e à obra do compositor.

Tuhú Eterno
Entrevistas, depoimentos, fotos e registros sonoros irão apontar para a imensa herança que Villa deixou na música brasileira. Herança esta que sempre se renova e mantém viva a chama criativa do maestro, através de músicos como Tom Jobim, Edu Lobo, Nelson Freire, Turíbio Santos (para quem Villa-Lobos “é bandeira e bússola”), Raphael Rabello, Yamandu Costa e muitos outros.

Villa in Concert Completam a exposição uma série de apresentações musicais – concertos de solistas, orquestras, teatro e balé – inteiramente gratuitas ao público visitante. Os espetáculos ocorrerão no pátio central do Arquivo Nacional, sempre às terças-feiras, às 18h30, em palco coberto, com capacidade para até 2 mil pessoas.

Cronologia
1887 - Nasce a 5 de março, no Rio.
1899 - Violoncelista, aproxima-se da estética boêmia carioca.
1905 - Viaja pelo Brasil; encanta-se com violeiros nordestinos.
1907 - Desiste de estudar música; assume seu autodidatismo.
1912 - Fixa-se no Rio; ''Suíte Popular Brasileira''.
1916 - Atinge sua primeira centena de composições.
1920 - Compõe o primeiro de seus ''Choros''.
1922 - Participa da Semana de Arte Moderna.
1923 - Faz sua primeira viagem à Europa.
1927 - Regressa à Europa com grande reconhecimento.
1930 - Compõe a obra ''Bachianas Brasileiras nº 1”.
1931 - Excursiona pelo interior de São Paulo e Paraná com Souza Lima e Guiomar Novaes.
1932 - Responsável pelo ensino da música no Distrito Federal (Rio). Populariza o canto orfeônico.
1933 - Passa a compor para fins didáticos.
1944 - Viaja anualmente, como maestro, para Europa e Estados Unidos. Dirigiria até o fim da vida 83 orquestras em 24 países diferentes; recebe encomenda de obras de várias instituições e solistas.
1948 - Com câncer, é operado em Nova York, Estados Unidos.
1959 - Morre no Rio, a 17 de novembro.



As mulheres na vida de Villa
Lucília - Primeira mulher de Villa, com quem se casou em 1913, a pianista Lucília Guimarães foi também sua grande incentivadora artística. Com sólida formação musical, apoiou o maestro não apenas na divulgação de sua obra como também na harmonização de diversas composições.

Mindinha - Em 1936 Villa se separa de Lucília e passa a viver com sua secretária, Arminda Neves d'Almeida, a Mindinha. A segunda companheira e grande paixão permaneceria ao lado do maestro até o fim de sua vida.

Bidu Sayão - Grande soprano de renome consagrado no Brasil e no exterior, foi fundamental para a divulgação do trabalho de Villa-Lobos. É dela a aclamada gravação da "Bachianas Brasileiras Nº 5". Após ter encerrado a carreira, Bidu volta aos estúdios atendendo a um pedido do maestro, que fazia questão da voz de sua intérprete preferida na gravação da suíte “Floresta do Amazonas".

O Curador Fabiano Canosa
Responsável, ao lado de Cosme Alves Netto, pela programação do Cine Paissandu entre 1966 e 1970. Em meados dos anos 70 mudou-se para os Estados Unidos, onde passou a programar vários cinemas de Nova York. Carioca nascido em 1942, formado em economia, é um dos curadores do Festival do Rio, curador do Symphony Space de Manhattan e programador do Joseph Papp's Public Theatre. Foi diretor de programação da Cinemateca do MAM (1965/70), do Cine Arte UFF (1968/70), e do The First Avenue Screening Room de Nova York (1973/75). Foi um dos articuladores das campanhas de lançamento nos EUA de vários filmes brasileiros, como Dona Flor e seus dois maridos (1976), de Bruno Barreto, e Bye bye Brasil (1979), de Carlos Diegues. Fez seu primeiro trabalho como diretor ao lado de Julius Ziz com o documentário Eldorado - Os lituanos no Brasil (2002), sobre a imigração européia no Brasil dos anos 20. Em 2003 desenvolveu projetos de longas-metragens associado à Raccord e à BSB Cinema, desenvolvendo como curador com a Clan Design o projeto “Carmen Miranda Para Sempre”, realizado nos Museus de Arte Moderna do Rio e Salvador bem como no Memorial da América Latina (São Paulo).. Recebeu do governo francês o título de Chevalier des Ordres des Arts et Lettres e do governo brasileiro a medalha da Ordem do Barão do Rio Branco.

Viva Villa!
De 12 de outubro/09 a 5 de janeiro de 2010
Arquivo Nacional
Praça da República, 173 - Rio de Janeiro
Tels: 2179 1273 e 2179 1221
De segunda a sexta, das 9h às 18h
Sábados das 10 às 16h
Entrada Franca


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